na laje, nossa arquitetura em construção
2008

Ligia Nobre e Kazuo Nakano


Paola Salerno, São Paulo: between utopia and dream, 2006 (São Paulo S.A./exo)

O lugar fala por ele

Em O lugar fala por ele (2006), filme da artista italiana Paola Salerno, num plano-seqüência único de aproximadamente vinte minutos, no alto do morro de um dos maiores cemitérios de São Paulo no Jardim São Luiz, localizado na zona sul da cidade, identificamos ao longe os territórios imbricados de conjuntos habitacionais dos anos oitenta e favelas recentes. Céu cinza, montes vermelhos de terra, flores amarelas e brancas no gramado. Transeuntes passam em passos lentos, cansados, atordoados. Seguem abraços e mãos dadas. Vemos crianças correndo e empinando pipas. Em justaposição, ouvimos as vozes de três manos conversando sobre o futuro dos jovens, os movimentos sociais, as narrativas de suas famílias e as tantas mortes violentas cotidianas em suas vidas. São tempos biográficos e sociais que já não correspondem mais às promessas de progresso da época em que seus pais (ou avós) chegaram em São Paulo. São gerações cujas experiências da cidade e acessos são completamente distintos, e que têm o desafio de construir novos campos de potencialidades. Paola Salerno está com a câmera distante dos adolescentes, e no diálogo que se segue entre eles sobre seus cotidianos, laços familiares e moradias, a laje é referência espacial e semântica constante. Superfície horizontal de concreto armado de pequenas dimensões, a laje dissemina-se nos territórios de vastas extensões das moradias populares, com implicações diretas na constituição e vivências da metrópole paulistana:

"… ele ficou na minha varanda e… o quarto da minha mãe tem um pedacinho de laje ai subiu para lá, tipo subiu na telha da mulher e passou… Mano, ele tava com o tênis cheio de sangue, tipo ficou a marca do sapato porque parece que ele tinha pego um tiro na perna e ficou tipo com a marca do tênis tipo assim no quintal todo…… mas a minha tia que mora ao lado ficou na laje olhando, ela falou tipo que conhecia o maluco, ele morava na rua detrás, tipo ele pulou a telha da mulher, foi lá no cara, chamou o cara lá ai tipo o cara deu o carro para ele ai ele nunca mais voltou…Ele tava armado, minha tia falou que ela viu, ela viu tipo quando ele entrou lá pela laje dela…Naquele dia mano,oh… não por mim mas pelo meu irmão, porque, bicho, ficou manos oh…"

Entre 2004 e 2006, Paola Salerno residiu várias vezes em São Paulo para participar do projeto São Paulo S.A. à convite da EXO experimental org., plataforma cultural sem fins lucrativos criada e dirigida por Ligia Nobre e Cécile Zoonens em São Paulo entre 2002 e 2007. A EXO se propôs problematizar inserções, dinâmicas e representações da metrópole contemporânea e de seus habitantes. A obra O lugar fala por ele faz parte de São Paulo: entre utopia e sonho (2004 – 2007) – projeto da artista que articula uma série de imagens e vídeos focando em possíveis narrativas, múltiplas escalas e experiências da “condição urbana” paulistana, conectando micro-fenomenologias com macro processos sociais e políticos. Segmentos de imagens que articulam trajetórias através da metrópole, entrecruzando três principais situações territoriais-temporais: o centro histórico (anos cinqüenta e sessenta); os condomínios horizontais no subúrbio oeste da metrópole (que surgiram nos anos setenta e se multiplicaram na década de noventa, calcados em discursos sobre a violência, o medo e o status social); e a “urbanização periférica” do Jardim São Luiz na zona sul. Essas séries de imagens e de vozes são capazes de traçar conexões (algumas destruídas, truncadas e outras mais fluídas) entre os espaços, os territórios, as redes sociais, os tempos biográficos e tempos políticos da cidade. O lugar fala por ele nos coloca como espectadores no limiar do “encontro entre outros” [1], questionando-nos sobre a (im)possibilidade das práticas estéticas e políticas contemporâneas.

São Paulo S.A.

Sabemos que as décadas de cinqüenta e sessenta foram marcadas pelo desenvolvimentismo, industrialização e modernização do capitalismo periférico brasileiro e pela explosão demográfica e expansão urbana inédita no país. Nessas décadas, São Paulo passou a ser epicentro econômico, político e cultural do Brasil e sintomática do fenômeno mundial das grandes metrópoles. Suas paisagens urbanas têm passado por transformações aceleradas e intensas, e os tempos atuais parecem marcar um novo momento de inflexão com efeitos ainda pouco previsíveis. Seus vários territórios estão marcados por desigualdades entre os grupos de baixa e alta renda, com padrões distintos de acesso aos espaços urbanos, recursos e infra-estrutura pública, conforme as situações sócio-territoriais do sujeito. Porém, as fronteiras são tênues e porosas entre os territórios e artefatos da chamada ‘cidade global’ e os lugares dos ‘pobres’ e ‘excluídos’. Há um entramado social ainda a conhecer e que escapa às categorias e modelos de dualização social. O lugar [Jardim São Luiz] fala por ele e aponta para alguns desses entramados sócio-territoriais localizados nas fronteiras entre uma área industrial fordista, uma apregoada “cidade global” dos anos recentes (Avenida Berrini e Marginal Pinheiros) e favelas constituídas nos espaços sobrantes.

Nos anos setenta e oitenta, São Paulo foi cenário crucial na organização dos movimentos políticos e sociais que contribuíram para o longo processo de “redemocratização” da sociedade brasileira. Assentamento antigo e um dos principais pólos industriais da “cidade fordista”, o distrito Jardim São Luiz destacou-se pela presença proeminente dos movimentos sociais dessa época, que se manifestavam na esfera pública articulados com as ações sindicais, atuações operárias, grandes greves e a presença ativa das comunidades eclesiais de base (CEBs) da Igreja Católica. O bairro começou a crescer nesse período de abundância de empregos industriais e de disseminação da casa própria, adquirida na maioria das vezes em assentamentos urbanos precários e informais. Como o antropólogo James Houston ressalta: “a ilegalidade e a improvisação têm caracterizado a forma como a população urbana de baixa renda vem produzindo os espaços que ocupam nas cidades brasileiras, assim como na maior parte das cidades do Terceiro Mundo” [2]. Nos anos oitenta, foi justamente na temporalidade da zona doméstica da vida, nas lutas pela moradia, por infra-estrutura e outros aspectos, i.e. pelo “direito à cidade”, que uma nova formulação de cidadania passou a se constituir. Num regime de longa data que se constrói na interseção entre legal e ilegal, público e privado, político e doméstico, os movimentos sociais urbanos têm desempenhado atualmente, papel essencial de formação de uma nova concepção de “cidadania urbana” [3].

Na última década, as paisagens das periferias mudaram muito, e já não correspondem às imagens de ocupação rarefeita e desolação de trinta anos atrás. São configurações territoriais completamente novas, com grandes equipamentos privados, como supermercados e shopping centers, e públicos, como hospitais, os Centros de Educação Unificada (CEUs) construídos pela prefeitura paulistana e as escolas FDEs do governo estadual. Particularmente, o Jardim São Luiz se transformou em um dos maiores pontos de concentração de favelas da cidade, sob o impacto da proximidade do território rico e dito “globalizado” de São Paulo. Lugar onde os fluxos de riqueza e pobreza se tangenciam o tempo todo, seja nos equipamentos de consumo existentes na região, seja na mistura do regular com o irregular de que são feitos os territórios e os circuitos de empregos, subcontratação e trabalho precário, seja ainda nas formas de acesso à moradia. Na tangência entre a posse e a propriedade, ocorre a violência dos conflitos de terra nesses pontos extremos da cidade [4]. Nas “urbanizações em ato” das periferias da zona sul ou da extrema zona leste, as formas de moradia e sua localização no tecido urbano – com intrínsecas variações de mobilidade e acesso – implicam campos de possibilidades e conseqüências de vida completamente distintas para seus habitantes.

E é em meio a esses padrões de territorialização da moradia popular – o loteamento clandestino, a ocupação de terra urbana ou a favela em estágio avançado de consolidação urbana – que encontramos um denominador comum: a laje como componente construtivo utilizado na cobertura das edificações que também conformam pequenos platôs de uma topografia artificial utilizados de diversas formas, com várias durações, inclusive para a construção de novos cômodos e novas moradias destinadas a acolher os arranjos familiares extensivos que não se restringem mais aos núcleos formados por pais e filhos. A produção das lajes se insere numa forma de produção da cidade informal que começa com um jeito irregular de acesso à terra urbana e termina com um modo próprio de construir gradativamente as moradias conforme as variações dos ciclos familiares e de sociabilidades.

na laje #1 : acesso à terra

Apesar das ocupações de terras e favelas resultarem em espacialidades muitas vezes semelhantes às dos loteamentos clandestinos, os procedimentos e estratégias de acesso à terra são bastante distintos. A abertura dos loteamentos clandestinos tem sido a principal alternativa de acesso a terra por parte da população de baixa renda nas periferias da metrópole de São Paulo. Essa alternativa tem exercido papel estruturador na expansão da mancha urbana das grandes cidades. Pela sua importância na urbanização brasileira, esse aspecto já foi bastante estudado por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento como Ermínia Maricato, Nabil Bonduki, Raquel Rolnik, Suzana Pasternak, entre outros.

Os processos informais de produção das terras urbanas para as moradias populares definem territórios com uso e ocupação intensa e densidades populacionais e construtivas cada vez maiores. Apesar desses territórios apresentarem diferentes níveis de precariedade e estarem localizados a grandes distâncias em relação às áreas mais consolidadas da cidade, com melhor oferta de serviços, equipamentos, infra-estruturas e empregos urbanos, há demandas crescentes por essas terras urbanas ocupadas predominantemente pelas populações de baixa renda. Esses grupos praticamente não contam com canais legais de acesso à terra urbana para as suas moradias. Sem alternativas, utilizam os canais ilegais que instauram processos informais de compra e venda de lotes, construção das moradias e desenvolvimento de atividades que geram micro economias populares nos bairros originários de assentamentos informais.

Esse processo lento e longo de produção e transformação dos espaços territoriais das grandes cidades, conhecido como “padrão periférico de urbanização”, calcado nos assentamentos precários, segregados e informais ocupados por moradias “autoconstruídas”, revela a contra-face do desenvolvimentismo vigente, principalmente, no período entre as décadas de cinqüenta e setenta, apoiado na ideologia do progresso disseminada na imagem do Brasil como o “país do futuro” e de São Paulo como a “locomotiva do país”. Nesse processo, as propriedades habitacionais conseguidas com muito custo e sacrifícios dos próprios trabalhadores, à margem de qualquer política pública, colocam-se como recompensa de trabalho duro e como garantia de alguma segurança num futuro incerto, destituído de qualquer rede de proteção social. Nesse contexto, os trabalhadores entram diretamente como “agentes da urbanização periférica da cidade” [5]. Com a crise econômica e mudanças societárias no Brasil e em toda América Latina nos anos oitenta, paralelo ao processo de abertura política e redemocratização, o “sonho da casa própria” se desmanchou com o empobrecimento dos grupos sociais ocasionando o grande aumento no número de pessoas vivendo em favelas na metrópole de São Paulo construídas em terras públicas ou privadas.

na laje #2: casas construídas gradativamente

A construção da casa pelos próprios moradores, com ajuda de amigos, vizinhos, parentes e pedreiros contratados, conforma as paisagens em permanente estado de inacabamento dos assentamentos urbanos originários de loteamentos clandestinos, ocupações ou favelas. O processo de construção dessa casa identifica-se com os ciclos de vida das famílias. E a construção e usos das lajes acompanham esses ciclos como espaços de varandas, reservas para novos compartimentos ou locais de convivência entre o doméstico e a cidade.

Trata-se de uma conquista familiar que exige vários anos de trabalho e investimentos financeiros. Dispositivo político e doméstico, a laje é também o que espera a construção de um novo compartimento habitacional – um “índice do depois”. Ela pode servir como suporte para uma nova construção que poderá abrigar a família dos filhos recém-casados ou parentes e amigos vindos de outras cidades, talvez com problemas econômicos. Ou poderá ser vendida ou alugada, constituindo uma fonte de renda complementar para os proprietários do imóvel. Todas essas ações em curso na periferia metropolitana resultam em adensamentos construtivos e populacionais crescentes que instauram novos ciclos de informalidade urbana. Os sinais desse processo são visíveis na verticalização e amontoamento das casas.

Os mutirões autogeridos são traduções ordenadas, no âmbito das políticas públicas e de ações dos movimentos populares de luta por moradia, daqueles processos informais de “autoconstrução” das moradias populares. Podem ser considerados como um dos mais expressivos desdobramentos políticos desses movimentos que emergiram nas grandes cidades brasileiras. Como aponta o arquiteto Pedro Arantes, as experiências de canteiros de obras dos mutirões realizadas no início dos anos noventa e novamente nos anos 2000 em bairros paulistanos procuram situar as dimensões políticas, sociais e econômicas baseadas em valores coletivos nos processos de produção das moradias populares [6]. A radicalização dessa dimensão coletiva na provisão habitacional ainda está para ser efetivada. Seria interessante analisar como as lajes são, eventualmente, trabalhadas nesses projetos e obras habitacionais executadas em mutirão. Será que são tratadas como um dispositivo construtivo e arquitetônico cujos sentidos extrapolam a mera função de cobrir uma edificação? Análises futuras poderão responder essa pergunta de modo adequado.

na laje #3: constituição de micro-territórios

Nas casas, as lajes são, geralmente, compostas de sistemas construtivos simples. Formadas com lajotas cerâmicas apoiadas em vigotas de concreto e recobertas com argamassa de cimento e areia, sustentam elementos como a caixa d’água, telhas de cimento amianto para abrigar da chuva e do sol ou antena parabólica de TV, entre outras coisas. Nas lajes, o varal armado com roupa estendida é onipresente. O acesso é geralmente por escadas estreitas, “controlado” ou não pelos moradores. Seus múltiplos usos são constituídos a partir de sociabilidades, hospitalidades, ajuda mútua, trocas de experiências, intercâmbio de informações, convivências, entre outras ações.

Muitas vezes, suas funções são potencializadas ao máximo nos finais de semana. Nesses momentos, a laje torna-se o lugar das conversas com a família, vizinhos e amigos, do corte de cabelo, do famoso churrasco regado a muita cerveja e de inúmeras outras possibilidades. Nos assentamentos cada vez mais densos, as lajes substituem os antigos quintais eliminados com o adensamento dos assentamentos provocados pela construção dos puxadinhos ou das casas de fundo. A vida nas lajes aparece representada nos sambas, rap e hip hop. Nas lajes as pessoas fazem música, jogam dominó, cartas ou mesmo futebol. Comemoram aniversários e casamentos, fazem todo tipo de festas. Nos finais de cada ano, é da laje que se assiste a queima de fogos de artifício. Há sociabilidades nas lajes que se constituem por meio dos encontros de salão de beleza em que se comenta a vida alheia ou se toma banho de sol para manter o bronzeado. Crianças empinam pipa, os cachorros brincam, as mulheres conversam, os adolescentes namoram. Constituem-se contatos ativos e passivos, dentre olhares, cheiros, sons e corpos. Estar na laje pode significar a abertura para horizontes abertos que contrastam com paisagens espremidas nas frestas das casas vizinhas e nos vãos das pequenas janelas abertas para corredores estreitos. As lajes representam horizontes com “grandes aberturas” para o céu e interações potenciais entre o doméstico e a cidade.

De “lâmina de sociabilidade” à “lâmina de controle e vigia” [7], as lajes se colocam como “quase-objetos” arquitetônicos articuladores das dimensões domésticas e urbanas capazes de engendrar um complexo emaranhado de conexões políticas, econômicas, jurídicas, culturais e ambientais da metrópole. No caso extremo das redes do narcotráfico, as lajes com posição privilegiada para o domínio visual do território, servem como postos de observação a partir dos quais instauram-se regimes de vigilância quase absoluta da circulação e de acessos aos territórios dominados. Nesse caso, as negociações são abreviadas por imposições autoritárias que desenham outros diagramas das relações de poder a partir das lajes cujas dimensões múltiplas e ambivalências nos interpelam com indagações do tipo: quais arquiteturas e sociedades nós queremos construir para nossa convivência? Quais “índices do depois” nós queremos ativar em nossas práticas cotidianas direcionadas para o futuro? As lajes configuram campos abertos com possibilidades infinitas para narrativas compartilhadas. No fragmento de diálogo apresentado no filme de Paola Salerno citado no início desse texto, a laje suporta a narrativa da fuga de um homem ferido que deixa pegadas de sangue sob o olhar perplexo de uma mulher. As lajes são campos potenciais que podem hospedar diversos tipos de narrativas com criações ou destituições de vida e entramados de relações. É nossa responsabilidade potencializar narrativas criativas na grande laje metropolitana.

Uma primeira versão de Na laje foi apresentada na Conferência Intimate Metropolis - Architectural Association School of Architecture (2003). Apresentada por Ligia Nobre na exposição coletiva Lange Nacht der Museen – Die Römer III– Cooperação Akademie Schloss Solitude e Kunststiftung Baden-Wurttemberg em Stuttgart em 2007. Sua última versão foi publicada em Livro para Ler, 10 anos de Capacete, da Editora Associação Capacete Ltda., Rio de Janeiro, 2008 e em SLUMLAB Newspaper, outono de 2009, U-TT GSAPP Columbia University.

[1] Agradecimentos à Luciana Itikawa pela generosa leitura e diálogo.

[2] Vide Arantes, Pedro Fiori “Reinventing the Building Site”. in Andreoli, Elisabetta & Forty, Adrian (editors) Brazil Modern Architecture. Londres, Phaidon Press, 2004. Arantes, Pedro Fiori. Arquitetura nova: Sérgio Ferro, Flávio Império e Rodrigo Lefèvre – de Artigas aos mutirões. São Paulo: Editora 34, 2002.

[3] Ibidem, Caldeira, Teresa e Holston, James (2004).

[4] Telles, Vera da Silva e Cabanes, Robert. Nas tramas da cidade: trajetórias urbanas e seus territórios. São Paulo, Humanitas, 2006.

[5] Holston, James. Insurgent Citizenship, Disjunctions of Democracy and Modernity in Brazil. Princeton, Princeton University Press, 2008. p. 313

[6] Caldeira, Teresa e Holston, James. Estado e espaço urbano no Brasil: do planejamento modernista às intervenções democráticas. In Avritzer, Leonardo (org.) A Participação em São Paulo. São Paulo, Editora Unesp, 2004.

[7] João Moreira Salles em entrevista à Revista Sexta Feira (São Paulo, 2006)