Persistir nos pensamentos e nas práticas pela urbanidade na metrópole contemporânea: entre o colapso e a continuidade
2015

Kazuo Nakano e Ligia Nobre

in Insustentável Arquitetura: Encontros França-América Latina. org. Angel Bojadsen. São Paulo: Estação Liberdade, 2015 pp. 25-38

1 – Preâmbulo

O título adotado na abertura deste texto coloca a necessidade de um preâmbulo sobre a afirmação em prol de uma perseverança na urbanidade contemporânea. A vida cotidiana na metrópole de São Paulo parece transcorrer num fio suspenso entre o colapso e a continuidade. Talvez, essa impressão seja originária das condições oscilantes da vida metropolitana que muitas vezes seguem entre a vulnerabilidade e a proteção, entre a certeza e a hesitação, entre a assertividade e a dúvida, entre a calmaria e a explosão social.

As oscilações da vida metropolitana aparecem de diversas maneiras no dia a dia. Ficam claras nas relações de amor e ódio que os moradores estabelecem com a metrópole paulistana. Muitas pessoas gostariam de fugir da metrópole, mas, ao mesmo tempo, se sentem atadas a ela pelos vínculos sociais, pelas estratégias de sobrevivência, pelas diversas oportunidades existentes que, reconhecem, dificilmente seriam encontradas em outros locais do país.

As chamadas dificuldades do dia a dia na metrópole paulistana podem ser consideradas como um dos geradores daquela instabilidade entre o colapso e a continuidade. Quando se entra em uma estação
subterrânea de metrô no horário de pico durante o final da tarde, onde as plataformas se encontram completamente tomadas por multidões de pessoas esgotadas depois de um dia estafante, sente-se a pressão do ar comprimido entre as paredes de concreto aparente.

(...)

É sobre esse fio que oscila entre o colapso e a continuidade da vida urbana, estendido no meio de situações concretas vividas cotidianamente na metrópole paulistana, que se deve afirmar a persistência e a
perseverança na busca por novas urbanidades metropolitanas que não sejam destruidoras de relações e saúdes humanas, de vínculos sociais, de biodiversidades, de ecossistemas naturais e de vários outros elementos visíveis e invisíveis que sustentam a vida coletiva.

2 — A persistência no urbanismo e no planejamento urbano
2.1 — A persistência na inclusão territorial de assentamentos precários
2.2 — A persistência no transporte coletivo como estruturador da cidade
2.3 — A persistência da vida nos bairros

3 — A persistência do uso como ato de fazer cidade
3.1 — A persistência da vida comunitária como construção do comum
3.2 — A persistência da força na articulação micro-macro

4 — Bibliografia

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