diagramas e seus usos na arquitetura
1998

originalmente publicado no Boletim Óculum 27

Constituindo uma forma de pensamento gráfico que opera como um modo de notação e pensamento, o diagrama opera através de gráficos, tabelas, desenhos, figuras ou padrões apresentando os cursos de um fenômeno e relações entre dados exprimindo ideias e suas possíveis formas. O potencial do diagrama no campo da arquitetura está em sua possibilidade generativa ao invés de ser apenas uma ferramenta descritiva. Dentro desta condição generativa, o que passa a ser importante não é o que a forma representa, mas o potencial desta durante o processo de projetação e da arquitetura construída. Embora derivados de sistemas aparentemente fora do campo da arquitetura, os diagramas são uma expressão literal da ordem específica existente de um fenômeno ou de dados, e não um símbolo. Um diagrama apresenta qualidades formais de relações, sejam de programa, forma ou espaços atribuíveis a uma imagem.

Esse processo, presente na exploração interdisciplinar dos pioneiros da Bauhaus, foi retomado com as experimentações de Venturi e Eisenman, abrindo espaço para a geração deconstrutivista - Hadid, Tschumi, Libeskind, etc. De acordo com Koolhas, o OMA quis nos anos 80 se tornar mais independente dos precedentes da arquitetura moderna, procurando outras influências que poderiam possivelmente criar o novo. Por isso, o diagrama passou a ser um dos meios utilizados para visualizar dados e assim torná-los manipuláveis e "desenháveis". Muitos arquitetos da geração mais nova na Holanda apresentam modos de operação através de diagramas como ponto de partida no qual a visualização dos dados pode revelar o conceito básico e desenho para um determinado projeto. O grupo holandês MVRDV por exemplo, utiliza uma técnica desenvolvida denominada datascape, combinando termos de "paisagem" (scape) e dados (data) mediando a geração da forma da arquitetura. Esse tipo de diagrama não está preocupado com a forma a priori, mas com a manipulação de dados e informações urbanos existentes, alterando a atenção do desenvolvimento da forma para a análise e manipulação de processos materiais e imateriais.

Ao operar fora de uma lógica fixa a priori e ser capaz de gerar "outras formas" e práticas de vivência do ambiente construído, o diagrama generativo passa a ser importante no processo de projetação da arquitetura.

On Diagrams
July 1998 (non-published essay written for the AA H+T course)

Diagram is here understood as an "intelligent technology" (dynamic ideography) in relation to architecture generation, implied in the process of actualisation ('exfoliation of diagram') and of virtualisation (the after-process, experience of built forms". (The very format of this presentation aims at raising an interactive reading).

Blobs becoming Parangolé - towards a "part-subject" architecture
August, 1998 (non-published essay written for the AA H+T course)

If we appropriate the concept of the ball as a part-subject and players as part-object and think of it similarly in relation to architecture built form and its after-process by people's living, it is lie the unfolding of Blobs (by Greg Lynn) + Parangolé (by Helio Oiticica) stressing. Architecture as part-subject would have the power to catalyse collective and individual relationships in unpredictable ways.