Campos de Preposições - Sesc Ipiranga
O grupo inteiro – Carol Tonetti, Claudio Bueno, Ligia Nobre, Vitor Cesar
31.05 – 30.11.2016
Sesc Ipiranga
ogrupointeiro.net

Campos de Preposições é um projeto artístico que consiste na reflexão sobre noções de convivência. Pretende-se trabalhar a partir dos seguintes vetores de atuação: dinâmicas espaciais e temporais; intensificação e multiplicação das presenças; ambiguidade e imprevisibilidade de usos.

Esta edição reorganiza temporariamente a área de convivência do Sesc Ipiranga, procurando reativar de diferentes modos esses espaços como “espaços poéticos para a comunidade” (Lina Bo Bardi). A proposta intersecciona os campos das artes visuais, design, tecnologia, arquitetura e aprendizagem, por meio de intervenção artística no espaço, vivências, workshops, conversas públicas, mural gráfico, plataforma online, catálogo/fanzine e intercâmbio internacional cultural–­intelectual­–acadêmico.

O projeto parte de um módulo-laboratório no Sesc Ipiranga, que poderá desdobrar-se em um programa contínuo. Se as preposições estabelecem relações entre dois elementos de uma frase, os Campos de Preposições buscam ativar e multiplicar diferentes modos de relação e vínculos entre as coisas, as pessoas e os lugares. Por meio de vivências múltiplas, ativam relações entre, de, com, por, para etc.

Preposições

"Contraditórios em si, a mistura e o tempo revelam-se, como a minha alma, nebulosa, variável, ondulante, matizada, aquitana. A minha alma, a mistura e o tempo não podem exprimir-se por substantivos, muito estáveis, nem por adjetivos, muito justapostos, mas descrevem-se mais precisamente pelo conjunto das suas preposições: antes e após constroem a fluidez viscosa, com e sem as partilhas hesitantes, sobre e sob o sujeito falso e verdadeiro, por e contra as paixões violentas, atrás e perante as frouxas hipocrisias e as corajosas lealdades, em e fora as claustrofobias corporais e teóricas, sociais e profissionais, entre e além a vocação metafísica do arcanjo-mensageiro, de e para o meu furor de viajante, topologia fina que exprime do melhor modo os lugares e as proximidades, as rupturas e as continuidades, as acumulações e as raridades, as posições e os sítios, os fluxos e as evoluções, a liquidez dos solventes e dos solutos."

Michel Serres
O Terceiro Instruído, Ed. Instituto Piaget, Lisboa, 1991.p.140