riomar + ceuniverso
viagens Amazônia dez10–jan11/dez13–jan14
Belém, Marajó, Santarém, Alter do Chão, Presidente Figueiredo, Manaus, São Gabriel da Cachoeira

1. viagem de barco Belém – Marajó, Jan.2011

“Quanta largura!” rio–mar, imensidão margeada. Densa floresta como linha do horizonte grossa, que se faz massa, volume poroso ao nos aproximarmos, e que ao longe nos assinala o tamanho do mundo, do meu, do teu, dos nossos e de outros mundos. Linha que é horizonte e se faz paredão. Poroso mundo. Vastidão do rio-mar e suas lendas, suas cobras e mitos, seus seres e entidades. Vastidão do céu como um Turner tropical. Tempo e espaço que se faz no agora.

A luz se acende no barco. Como é o meu barco para navegar nessa imensidão rio-mar das florestas? O que vou levar comigo nele? Quais instrumentos? Para onde quero ir? Sem pressa, no seu tempo, no meu tempo, ritmo, velocidade, movimento. Humboldt que mensurava o mundo para compreender a vida. Eu que danço o mundo, espelho de mim, espelho d’água com som.

Imagino um roteiro para um filme nesse barco–travessia. Um filme contínuo (como a “Arca Russa”, com Fellini, Aruandístico) que dure o tempo da travessia. Tempo cronológico de aproximadamente 3h30. Sem começo, sem fim, no barco e no rio. “vida boa não tem pressa”, como dizia o Francisco... Os mitos e histórias no barco, e as vestimentas de múltiplas singularidades desejadas de cada um. E aos poucos, a ilha... com paisagens que se aproximam, praias, nesgas de areia que surgem, cocais, brancos descansos, paragens em suspensão, geografia das árvores, de um terreno que supomos plano da floresta. Ocupações ribeirinhas, “popopós”, barcos descansando, casinhas singelas, barracas de ripas de madeira, comunidade que se forma…Marajó


video: barco para marajó

2. Presidente Figueiredo – cidade próxima a Manaus, jan 2011

Travessia mágica pela floresta, caminho para a cachoeira de Ypi. Montanhosa. Portais com entidades diferentes cuidando deste lugar. Yroco, jurema, sakafunã... vinham os pontos o tempo todo fortemente. Energia mais feminina e dócil. Um dos dias mais especiais de cura. Noite de muitos sonhos, trocava de pele e perdia minha bolsa com laptop, celular, identidade e todos os contatos e endereços... e sonhos de cura de antigas relações amorosas...

video 1: 00070 (cachoeira)
video 2: 0076 (pessoas banhando)

3. Belém


video titulo: "Belém Manhatãn" (esse pode coocar titulo sob o video)

4. Alter do Chão

video Alter do Chão_2011

5. São Gabriel da Cachoeira, Rio Negro, Jan. 2011

Expresso para São Gabriel da Cachoeira (empresa Tanaka), subindo o Rio Negro, foram 36 horas, quando poderia ter sido 24h… Muitas ilhas, luz que me deixa bêbada, dá sono. Madrugada, noite de lua cheia belíssima, grupo contando piada na proa, vento forte, noite clara, rio e floresta escuros, montanhas de nuvens, parece um sonho. Acordei novamente as 4h da manhã e fui para proa, noite linda. O sol nasceu às 6h30am na parte de trás do barco, lindo, rio e céu negros com azul escuro, que foram clareando, com as ondas da lancha, reflexos...

Dia longo, calor, corpo grudado de suor, “gentileza gera gentileza”,, “gente lesa gera gente lesa”, como dizia o amigo Francisco.. Na lancha, uma sociabilidade específica respeitosa, com ordem pra chamar e comer. Entre fileiras de cadeiras, uma cozinha micro ao fundo, e cozinheira capaz de alimentar 100 pessoas, as bandejas de “natal” e outros motivos coloridos de apoio. Arroz, frango, carne, farofa, e/ou feijão, salada com repolho, ervilha, azeitona, cenoura. Melancia de sobremesa. As mesmas quatro melancias que estavam debaixo da cadeira da Maru no inicio da viagem...Risos. TVs com som alto de música “romântica” com forró, rebolation ou algo parecido. Mulheres enormes, roupas mínimas, encenações para explicar as músicas, shows grandes para 30mil pessoas em Manaus, tudo soa muito parecido e igual pra mim… Depois, filmes Avatar e outros de Guerra e violência no primeiro dia, e de violência e romântico no segundo dia. A viagem termina com a mesma musica e show do inicio da viagem, com o grupo “calcinha preta”.

Finalmente, chegamos perto das 6pm. Acabamos nos apressando e pegamos uma lotação para uma rota de aproximadamente 22-24 km até a cidade. Chegamos ao ISA, construção imensa, projeto de arquitetura do Brasil Arquitetura, com varanda–cobertura de oca com piaçava e vista incrível para o rio, da cidade de São Gabriel e pôr do sol. Fomos recepcionadas com carinho e atenção pelo pessoal, Laís, Mocotó e Sussi. Banho merecidíssimo, quartos grandes para cada uma, jantar no “Conde” com peixe com tomate e alho saboroso e sono às 10pm. Muitos sonhos: novamente, que perdia ou roubavam minha bolsa com dinheiro e documentos e celular e eu procurava a bolsa preta de couro antiga… Em outro, sonho com a casa do ISA, e por baixo de cada andar passava um rio da Amazônico – o Amazonas, o Negro e o Solimões ou Tapajós… Acordei às 7h45am, lavei roupa, e fomos fazer ioga eu e Maru na cobertura. Café da manha com suco de cupuaçu delicioso, pão de milho com polenguinho e requeijão e café deliciosos. “Vamos ver o que o dia nos reserva”, como diziam os amigos nessa viagem...

Sábado fizemos uma visita muito especial ao sítio da família da Gilmara e sua pequena filha Ana Luiza, em uma ilha no Rio Negro. Pegamos ônibus até Areal, depois caminhamos na mata para pegar uma canoa... chuvisco. vida indígena–cabocla. São descendentes de Dessano. Falam língua geral entre eles e um pouco de Tukano, além de português conosco visitantes. Comemos pupunha deliciosa, parece uma castanha, perfeito pra tomar com café preto! Conheci a Cucura: fruta que parece uma uva grande, do tamanho de uma jabuticaba, como fruta do conde como consistência interna. Sabor doce, gostoso. Vidas e corpos e movimentos perto da terra ou pendurados no teto. Corpo que flutua para dormir, sentar, ligação forte entre a terra e o céu, cabeça e pés, continuidade.




6. viagem de avião Marajó-Belém, Jan.2014